Pensou que estava apaixonado. Quando o menino estava por perto, ficava tonto; quando sentia seu perfume, a pele gelava; quando o tocava, os dedos doÃam; queria beijá-lo, devorá-lo; desejava ter-lhe a vida.
Mas era inveja: queria-lhe a vida, o coração e o corpo, a conta bancária e o sucesso profissional, o sorriso e os amigos, a famÃlia e a fé.
“Meu distúrbio, não diagnosticado pelos mais renomados especialistas, não aceito pelos filósofos e religiosos, torna insuportável a minha vida. Todos à minha volta temem a morte, eu temo o nascimento. Devo explicar a minha situação, porque não tenho amigos que saibam dela e pretendo terminar a minha vida de uma forma que me seja familiar […]