Mundo novo

Quando alguém sente algo abstrato como concreto chamam de sinestésico, certo? Como o caso da mulher que sente o ano como um grande círculo, e que sempre volta àquele ponto que esteve ano passado.
Eu comecei a sentir um mundo todo novo, começou ano passado, senti um chão, hoje senti mais.
Mas junto com isso, se é por causa disso, ou se é motivo disso, eu continuo sentindo meu lado menos racional, instintivo, emocional, “poético”, voltando à tona.
Às vezes fico olhando meu blog antigo, penso no que deixei para trás, no que abandonei, ou só fiz adormecer. Mas o que adormece acorda, e acorda descansado. =)

Verdades e mentiras

Não conheci ninguém que pudesse falar verdades, não sem o confuso das mentiras, não sem a dúvida, o ponto de vista, o limite própria da boca que fala.

Não conheci ninguém que pudesse imaginar mentiras, não mentiras puras, sem a beleza de uma verdade, sem seu ritmo e sua música.

Não conheci mensagem que fosse a mensagem em si.

Comunica-se bem quem canta o que quer dizer ou quem canta o ritmo de quem ouve e o contagia com a sensação desejada?

Cultura

Uma das minhas “cicatrizes” mentais do curso de História é essa: eu tenho agonia quando alguém diz que algo é mais ou menos cultural.

“Ler um livro é mais cultural que assistir novela das 8.”

Não, não é.

São culturas diferentes, e não fale de níveis. São diferentes, como matemática é diferente de biologia. Influenciam-se as duas? Sim. Mas nenhuma é superior, inferior, mais ou menos.

E noto também que a motivação que leva a uma, a leitura, e outra, a novela na TV, são a mesma: entretenimento, fugir da realidade ordinária.

Só porque o livro exige, teoricamente, um conhecimento maior não é mais cultural. Complica o método, o motivo é o mesmo. E o método complica porque a mente não se satisfaz com outro.

Cultura é algo feito pelo homem. Não se pode ser mais cultural, como uma mulher não pode estar mais grávida que outra.

Velho

Velho. É o que eu sou, o que eu sempre fui. E um velho traquinas, daqueles que aprontam, sacaneiam, ensinam coisas pervertidas e dão aquele sorrisinho inocente que varre qualquer desconfiança.

Nunca fui do meu tempo, nunca fui do meu lugar. Meu tempo e meu lugar estão aqui dentro, só meus, de mais ninguém, são meu nome secreto, meu mundo particular, minha inspiração. O que compartilho é só parte do espólio tirado deste mundo perdido, sem dono, que eu quero para mim, quero seduzir, dançar com ele.

Não sei, não encontrei a graça de tantas piadas, mas fiz tantas graças de coisas sonsas.

Nasci velho não para recusar prazeres de uma juventude nunca vivida, porque, por não ser vivida sempre esteve latente, sempre esteve aqui, nunca esteve no tempo, sempre foi eterna, nasci velho para saber que não sei de nada, que tudo é uma grande mentira, que a verdade, fatos e certezas são tão sólidas quanto o vento, tão imutáveis como uma flor.

Nasci velho para ser jovem.



Portfólio

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13
Dec
2010

Daniel E.

“Meu distúrbio, não diagnosticado pelos mais renomados especialistas, não aceito pelos filósofos e religiosos, torna insuportável a minha vida. Todos à minha volta temem a morte, eu temo o nascimento. Devo explicar a minha situação, porque não tenho amigos que saibam dela e pretendo terminar a minha vida de uma forma que me seja familiar [...]

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Trançados