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08
Dec
2009

Snu

Um dia estava olhando uma imagem, não sei ainda seu autor, e decidi tentar escrever um conto. Eu o considero meu primeiro conto. Hoje eu o reescrevi. Mas eu quero manter os dois comigo, talvez um dia reescreva de novo, e de novo.

O conto fala da eternidade, para mim.

Snu é uma mulher simples, vive em um mundo igualmente simples.

Sem sol ou estrelas, sem lua ou continentes, um mundo de ruínas alagadas, imensas colunas aparecendo aqui e ali, como brotando do oceano estático. O único movimento é das bolhas fosforescentes que saltam do oceano para o céu, elas brilham azul, dando ao horizonte uma cor especial.

Snu dança em seu lugar, não existe nada para medir o tempo, então tudo é eternidade, tudo é sempre igual, ela dança, brinca com as bolhas que pode alcançar, tenta juntá-las, torná-las maiores, às vezes as estoura e assiste a chuva de minúsculas gotículas luminosas.

Ela não tem nada além disso, não veste roupas, não tem objetos, não tem um espelho, é sozinha.

Tenta cantar, mas não tem palavras porque não precisa inventá-las, não há para quem dizer.

Um dia – ou não, não um dia, já que é sempre o mesmo momento, a mesma eternidade – uma bolha com mais brilho sai do oceano, ela sobe tão lentamente e se aproxima cada vez mais de Snu, ela, ansiosa, senta-se para ficar mais perto. Quando ela sobe mais e está à altura de seu rosto ela estende a mão, quase tocando a bolha, e se levanta lentamente – ou rapidamente, não sabemos como era o tempo, é tudo eternidade.

Quando quase já lhe passa a altura que podia alcançar ela toca a bolha.

A bolha estourou.

A chuva de gotículas brilhantes foi tão mais brilhante que o usual…

Snu se admirou mais, tentou recolher um pouco daquele líquido brilhante tão escasso, ela se atirou tentando recolher o máximo que podia, encheu a mão com duas ou três gotas. Oh, era tanto mais do que conseguiu antes!

Mas perdeu o equilíbrio, seus pés escorregaram, tinha que soltar o líquido e agarrar-se. Não, não ousaria derramar o tão precioso líquido.

Snu era uma mulher simples, vivia em um mundo igualmente simples.

Caiu no oceano, e como nunca antes esteve nele, não tentou nadar, não prendeu a respiração. Era a eternidade, não aprendeu os instintos básicos de sobrevivência, não precisou deles antes na simplicidade de seu mundo.

E afundou, sentiu a pressão do mar, como um abraço. Assistiu o líquido de sua mão se dissolver, enquanto sua visão se turvou.

Discussão

Zebra diz:

Quando foi isso?! ^^

Cadu diz:

a primeira versão foi em 2003, acho, eu tinha 16

Dauton diz:

snu se afogol
*xora

mhayk diz:

ela conseguiu se afogar isso poderia ter levado uma eternidade não ?

mspix diz:

nussa.. que melancolico e lindo.



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13
Dec
2010

Daniel E.

“Meu distúrbio, não diagnosticado pelos mais renomados especialistas, não aceito pelos filósofos e religiosos, torna insuportável a minha vida. Todos à minha volta temem a morte, eu temo o nascimento. Devo explicar a minha situação, porque não tenho amigos que saibam dela e pretendo terminar a minha vida de uma forma que me seja familiar [...]

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