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13
Jan
2008

Edda em Prosa – Prefácio

No tempo sem tempo do inconsciente coletivo, povoado por deuses e deusas, o traçado do destino humano é determinado, não como um enredo inexorável, mas como um mapeamento de possibilidades díspares, um universo de aventuras que se entrecruzam, moldando comportamentos, delineando caminhos, desvendando segredos tecendo, acima de tudo, a riquíssima linguagem dos mitos. Pela primeira vez no Brasil, o tesouro nórdico das narrativas que sempre nos chegaram fragmentadas, através das histórias em quadrinhos da nossa infância, dos desenhos animados da TV, ou das referências, às vezes, distorcidas ou confusas, registradas em livros que tratam do assunto sem a adequada citação das fontes.

Edda em Prosa elucida muitas das dúvidas suscitadas pelo desconhecimento da tradição que nos fala de Odin, Thor, Freya e Loki, das valquírias, das runas e do Valhalla, um encantamento que repercute através da música de Wagner, uma magia que transcende um povo, uma geografia, ou uma religião específica, impregnando de fascínio a fantasia das pessoas que não sabem por que tanto costumam se encantar diante dessa trama e desses personagens, com os quais se identificam, vivendo suas paixões, desafios, vitórias e derrotas, sob a pele aparentemente prosaica do cotidiano. Sim, porque na Edda em Prosa, os deuses morrem, da mesma forma que os homens, característica que influenciou, entre outras, a obra filosófica de Schoppenhauer e de Nietzsche, fato que, por outro lado, a diferencia de outras mitologias.

Rastreando sob uma simbologia que não lhe é tão familiar quanto a da mitologia greco-latina, embora sejam, ambas, ramificações do mesmo tronco, o leitor encontrará nesta leitura empolgante a motivação que o levará à pesquisa em busca da sua própria épica, os “comos” e os “porquês” que orientam um pouco de sua história particular, dimensionada sob as perspectivas da história do Homem, o mais irresistível de todos os textos jamais escritos, porque, nela, o real, o imaginário e o simbólico são apenas os nomes diferenciados de uma mesma vivência, uma e indissolúvel. Edda em Prosa, em sua envolvente e dinâmica tessitura lendária, faz do leitor o que ele sempre foi sem o saber: personagem e narrador de si mesmo.

Conceição Couto Netto

A editora fechou e não se encontra mais o livro em lugar nenhum… O tradutor é Marcelo Magalhães Lima, a editora era Numen e ano 1993.

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13
Dec
2010

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“Meu distúrbio, não diagnosticado pelos mais renomados especialistas, não aceito pelos filósofos e religiosos, torna insuportável a minha vida. Todos à minha volta temem a morte, eu temo o nascimento. Devo explicar a minha situação, porque não tenho amigos que saibam dela e pretendo terminar a minha vida de uma forma que me seja familiar […]

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