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17
Apr
2010

Conto: Conversa de ponto de ônibus

Era sábado, fim de tarde, Rafael estava ansioso e preferiu sair mais cedo de casa. Ia encontrar alguém.
Foi até o ponto de ônibus e lá esperava um casal gay, de mãos dadas, e um homem com expressão de poucos amigos, afastado, olhando a toda hora na direção que o transporte viria.
Logo que o casal saiu, o outro se aproximou de Rafael e começou a resmungar:
– É um absurdo mesmo! Tão pouca vergonha! Você não acha?
– O quê? – respondeu Rafael, surpreso com a abordagem.
– Essa pouca vergonha! Dois homens de mãos dadas no meio da rua, para todo mundo ver!
Rafael o encarou, pensando no que diria, mas não precisou. O senhor já recomeçou seu discurso:
– Essa abominação devia ser crime! Imagina se meu filho escolhe uma vida dessa! Eu o deserdo, expulso de casa! Vai ser difícil não matar!
– Mas eles não fizeram nada tão abominável assim, só estavam de mãos dadas.
– Ah! Engano seu! Essa escória suja o ar! Não se envolva com essa gente! Você parece moço direito. Eles são pervertidos pelo demônio.
Rafael desistiu da argumentação, já estava cansado de ouvir conversas assim. O coletivo que esperava se aproximava, seu rosto não mostrava mais o mesmo desconforto. Ele não deu sinal, mas o veículo parou, alguém ia descer.
Sorriu, era quem esperava, seu namorado. Trocaram um beijo e começaram a caminhar.
Rafael olhou para trás e observou aquele moço que estava boquiaberto, confuso. O automóvel começou a sair também, e aquele desagradável resmungão tentou correr, mas já tinha perdido a chance de tomar seu ônibus.

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13
Dec
2010

Daniel E.

“Meu distúrbio, não diagnosticado pelos mais renomados especialistas, não aceito pelos filósofos e religiosos, torna insuportável a minha vida. Todos à minha volta temem a morte, eu temo o nascimento. Devo explicar a minha situação, porque não tenho amigos que saibam dela e pretendo terminar a minha vida de uma forma que me seja familiar [...]

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