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03
Aug
2010

Catacrese

Ingênuo pensar que uma língua é capaz de comunicar todos os conceitos possíveis. Como o é pensar que nada sobra de desconhecido no mundo depois que tudo foi mapeado, ou que nada acontece sem lógica.

Existe um mundo inteiro conceitual, em constante transformação, lentas ou não. Cada palavra é indicação de uma região no mapa deste mundo; uma metáfora, poesia ou figura de linguagem é uma aproximação do ponto almejado, como círculo sobre a região sem nome.

Mas uma língua é só um pedaço de terra, com suas muitas cidades e estradas, seus habitantes frívolos, suas leis contraditórias e seus arranhacéus paradoxais; o horizonte não cabe em um mapa.

Eu passei um tempo tentando encaixar o que sinto nos trilhos das palavras, mas sentimentos não se submetem, montanhas não desviam para que estradas passem. Por muita confusão passei.

Cheguei aqui e decidi não mais adaptar o que sinto a uma língua: adapto a língua a mim, e que ela cresça e fortifique-se, ou não pode sentir vislumbre de minha alma alienígena.

Não mais usarei a catacrese de falar de amor, se o que sinto não é o que chamam por este nome. Deixa-me mostrar além da superfície: o horizonte, o subsolo, e os ventos no céu que não podem aparecer em um mapa. Esqueça os nomes.

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13
Dec
2010

Daniel E.

“Meu distúrbio, não diagnosticado pelos mais renomados especialistas, não aceito pelos filósofos e religiosos, torna insuportável a minha vida. Todos à minha volta temem a morte, eu temo o nascimento. Devo explicar a minha situação, porque não tenho amigos que saibam dela e pretendo terminar a minha vida de uma forma que me seja familiar [...]

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